quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

sin sinai

Dormimos até as 23:00, quando sairia uma van do Auski Hotel. Éramos dois alemães, dois suecos, dois americanos, nós quatro, e uns quatro coreanos. Uma hora até chegarmos em Saint Catherine, enfim descobrimos que estávamos indo ao Monte Sinai. Na verdade, além do frio, não fazíamos idéia do que nos esperava. Conhecemos então quem seria nosso guia, do logo denominado grupo “Panorama”.
Na inocência, uma garrafa de água era o que tinha para nós quatro, guardada em uma das mochilas ainda mais inocentemente pesadas nas costas. 00:00, 8km up the Hill. Frio cortante e seco, subíamos com grande dificuldade (maior ainda quem veste três calças), com diversos pontos de parada. Todos estes com quartinho para nos aquecermos -o que não era tão vantajoso pois o choque com o frio era constante- preços médio-altos para nos venderem bebidas quentes sedutoras. Porém o medo de comer ou beber algo para não passar mal e me perder do grupo ainda me ajudou a não precisar ir ao banheiro até mais de o amanhecer.
O grupo foi se desfazendo aos poucos pois era muito difícil caminhar. Estávamos em direção de 2200m de altitude de crescente pura falta de oxigênio e temperatura. Prova de tolerância (Camels? Camels?! Camels?),condicionamento físico e paciência, inclusive dos beduínos (a priori nômades por definição, mas fixos em diversos pontos do monte), maioria muito servil e respeitadora. Estes caminhavam com tanta facilidade sobre as pedras hostis, com calçados impróprios e pulmões carregados de cigarro, que despertavam inveja e ao mesmo tempo esperança a nós mortais. Nós quatro ainda tínhamos o adicional de termos escalado na mesma tarde antes de partirmos, e, desse passeio, termos engolido apenas duas refeições. As respirações ofegantes subiam em uníssono e se pausavam quase juntas, no instante em que a angústia da respiração inútil se esgotava em estafa.
Todos param. A Lua é cheia e é quem nos ilumina na maior parte do caminho. Comportamento padrão de olhar para baixo e se surpreender com a altura conquistada. Olhar para cima em busca do sempre longe logo-ali destino. Sussurrar pela ajuda divina, que no meio de tanto silêncio, parecíamos ser mais bem ouvidos por Ele, e estar mais próximos a Ele. Esperança de novos milagres em potencial.
Enquanto não Deus respondendo objetivamente aos nossos anseios, arriscávamos breves conversas com os beduínos distribuídos pelo Monte. Ora oferecendo paciente e ostensivamente concluir a subida por camelos, ora apenas sendo paisagem que estende a mão exatamente quando o pé falha a pedra. Árabe de diferentes regiões, alemão, russo, inglês. Tudo da boca desdentada de um só sorridente beduíno.
O ar, o fôlego e a energia sobem conosco rarefeitas, ansiosas pelos “20 more minutes to the stairs. 30 more minutes on the stairs.” Sei lá em que ritmo, mas no fim, o tempo sempre era maior do que o prometido. O segredo era só se abster do relógio e se entregar ao otimismo beduíno. Melhor ainda foi ter passado rápido este tempo inicial, na esperança de que as tais escadas fossem de degraus homogêneos e que todos marchássemos, retomando a harmonia de passos e suspiros, que já estavam cheios de chiados e desistências progressivas.
Enfim, a pausa antes da escada, a mais longa, em busca de que mais membros do “Panorama” nos encontrassem e soubessem que este seria nosso ponto de encontro na descida. E a escada monstro começa. Até a Lua fez uma pausa e nos deixou tropeçarmos em diversos e perigosos “degraus”. Mas já não se pode desistir a 2000m de altura, a inércia ao contrário se encarregou de milagrosamente nos empurrar. Penúltima parada antes do cume, todos falam mais, sentem mais e sofrem mais. Meus dedos dos pés me fazem chorar por terem suado e agora o suor ter congelado meus dedos.
“Lua. Quanto subi. Quanto falta”. Faltavam cinco minutos até a última parada. Havia uns 5 dos Cafés Mono-preços, todos oferecendo agora também cobertores, que poderiam ser devolvidos depois, na base da funcional confiança. Pegamos um cobertor, agora, 5:30 da manhã; troquei minhas meias por outra reserva, e deitamos os três intercambistas sob o mesmo inflacionado cobertor, sem, porém, atingir o quentinho que queríamos. Mas não importa, ríamos por sermos vencedores daqui a cinco minutos. E o tempo, dilatado pelo frio, enfim passa, e todos seguem para um bom lugar ao topo. São 6:20 e dizem que o esperado será às 6:35.
Tempo dilatado, porém, o céu azul se separa do horizonte marrom por um risco dourado, intenso e duradouro. As pedras estão geladas como gelo, e ninguém senta para não congelar. Exceto um cobertor que enrola um senhor de idade solitário no melhor canto possível. Ofegante, idoso e com água escorrendo ou pelos olhos ou pelo nariz, a imagem me toma como milagrosa e checo o relógio para ver se era isso que eu veria as 6:35. Mas não podíamos nos distrair, é hora de aproveitar a pose da natureza para tirarmos fotos: todos se encarregam de abrir a boca seca, roxa e enrijecida pelo frio. O sorriso escapa sincero: rígido, pequeno, rachado, feliz e cansado.
A Lua, que também cuidou de ficar até então, recebe despedidas e posa dourada para as fotos. Retira-se gentil, deixando nossa atenção ao Sol. Sua luz antecipada ilumina 2200m de altitude e todos parabenizam a si próprios pela valência e força. Emoção religiosa, naturalista: panteísta. Deus, pedras, história, silêncio e harmonia. Noventa segundos do Sol que vem majestoso para compensar o esforço. Raios de Sol são saboreados com olhos fechados. Alimento divino, o tal milagre aquecido.
Agora, descer os 8km, sensação de completude acelera o passo e o entreguismo às fraquezas humanas. Bolhas, fome, dores, bexiga, impaciência. Logo o chão plano retorna.
“Sol. Olhar pra cima. Olhar pro céu. Olhar pra si”:
- Eu cheguei lá em cimão mesmo, Deus?
08 de Janeiro de 2012

domingo, 6 de novembro de 2011

na urgência com a qual alguém planeja perdoar:
a ânsia de ser vista no podium do amor incondicional

terça-feira, 30 de agosto de 2011

cor reto

Do mesmo ramo que nascem só folhas, nascem as que caem. Nascem frutas, as que apodrecem, as que perduram azedas, as que se esquecem em miniatura.

Do mesmo ramo que nascem os dons, nascem os defeitos.

Obras de arte, também as de descarte. E as de desastre.

sábado, 20 de agosto de 2011

sóporsí

Outros disfarçam tão bem ao mundo que são felizes.
E só quem é otária vive de querer ser autêntica colocando tudo em outdoor.
Do primeiro só se tem que o segundo se ilude de que seus problemas, ah, são catastróficos; a família mais problemática, 'óh, infelicitude!'.
E eu já nem compreendo tão bem o que é família, substantivo complexo indefinido, plural. "É substantivo singular".
'É verbo no futuro', ignora o presente e se diz passado. 'É adjetivo', críticas sobretudo. É cacofonia, é trava-língua, é palavra feia como é bonito o litote, é palavra bonita como é feio o oximoro; mas ao contrário. É sinestesia pura e impura. Família é rima preciosa e a terra que cobre o tesouro é compacta, pisada pelos que estão lá disfarçando.
Família é sinédoque, soa bonita, é elegante, é tudo; 'mas é um só por si'.
-Sóporsí?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Uma bola de Portishead ,uma de flocos e self-service de areia e ursinhos.

É tão mais fácil fechar a porta.
E tão fácil falar as frases na ordem previsível. Deixar de descobrir, assim, belezuras aocontrárias.
É tão fácil o amendoim já descascado. Japonês, caramelizado, Tutti.
E mais fácil o filho-da-mãe me encarar, pela fresta do retrovisor, e invadir meus olhos com tanto fulgor até desconcertá-los enquanto dizia "passa o celular"; e seria tão menos fácil e mais vontade de eu cuspir na cara de quem me roubou outra paisagem que meus olhos poderiam ter olhado naquela hora e ele agora está pendurado na minha janela do carro.
Seria tão fácil dizer "Eu vou embora desse planeta, vou levar minha casa, meu cachorro e a Avenida Paulista."

Quero usar mais as palavras gentil, ternura e tinir; inclusive descobri que muitas das palavras das que gosto tem som de tê, mas que nenhum dos nomes que fantasio pros meus filhos tem essa letra.
Quero pegar um apanhado de areia bem fina, clara e com alguns só grãos escuros. Segurá-la forte, para não escorrer entre os dedos, apoiar os cotovelos na mesa da sala de jantar onde já deixei aberta uma cartolina branca grande e inventar um mundo novo, só com novos contornos, e desenhá-lo no papel fazendo caminhos de areia deixando a areia escorrer bem devagar e vagando ao som de Portishead se for ao entardecer ou de pássaros docemente histéricos se for umas dez da manhã. Fazer contornos que se fecham harmonicamente e dar nomes aos novos continentes e países; nomes bonitos, sonoros e com a letra "T" em alguns deles e outros com sons anasalados. Depois, com o dedinho, varrer as areias que saíram de canto ou que tamparam, e com elas fazer ilhas soltas pelo mar, que será todo o resto do papel não contornado.Vou inventar um jeito de virar miniatura e de povoá-lo, e vou lá viver no meu mundo, ver o que vai ser dele, como serão as pessoas, os costumes, os crimes, os deuses. Vai ser um mundo em que, a cada ventania, tudo muda de novo. De repente, Pólo Norte. De repente, filho de um guerreiro. A cada vento o tempo muda também, mas são sempre as mesmas pessoas. Elas teriam que ser flexíveis para viver da melhor maneira em todos os tempoespaços por onde passarem. "Tem vez que estou acordada e acho que estou sonhando ou sonhando eu acho que estou louca(...)."

Não quero dizer nada com o que digo, nem consentir com silêncio. Agora, mais freqüente, consigo arborizar loucuras que, antes, eram todas canalizadas em você. Desgastava você e eu desperdiçava minha cota diária de fugas de pensamento, como a de unir vários assuntos nenhum terminado, rir muito de uma piada e enfeitá-la com piadas secundárias até estragá-la ou baixar o nível, sem querer, e rir disso. Como quando minha maquiagem ficasse igual a da Helke.
Eu me curei da minha obsessão, me tratei na real. Aderi à homeopatia emocional: dos meus sentimentos secundários, eu abusei até enjoar. Que nem a piada que a gente, sem querer, estraga colocando uma sombra roxa e um batom vermelho. Enfim, tratei desses galhos. Daquele nosso cheiro, o destino fez que com que seu tubinho explodisse creme em toda a minha mala, e eu não aguentava mais aquele cheiro. As músicas foram sendo perdidas, suas melodias, se riscando. Não lembrava mais de vestir alguma das blusinhas que você tenha elogioado, talvez raras. Isso no período da overdose, em que a gente se droga de coisa pior que a droga pra esquecer da primeira. Agora passou. Eu nem gosto nem desgosto do cheiro. Tem dia que sim, tem dia que não. A música, as vezes sei cantar, em outras não. Tem dias que eu até visto alguma das blusinhas, mas não necessariamente pra você, meu bem. Isso não é ótimo? Chegamos onde sempre quisemos, se bem que isso não é tão gostoso; é uma pena e não é. Depende: é que nem sorvete na Lelu´s (eu pensei que era "Lelu´s", mas no Google está Lelos e eu acredito mais na minha infância); uma hora é flocos, outra hora é milho-verde.
-Hoje eu queria uma bola de cada com self-service de ursinhos, amendoizinhos, granulado e calda de chocolate que endurece e, junto com ele, endurecem as outras guloseimas, por favor!


Anacrônico: várias ventanias ocorreram durante toda essa mistura de assunto, que eu uni com calda de chocolate e, por algum motivo que desconheço, faz algum sentido.

terça-feira, 10 de maio de 2011

outono imperador

O coração sofre uma espécie de cãibra,
deve ter papilas que tornam a dor pensada em dor ácida e deixa o corpo todo doído.
É que chegou, imperativo, o desespero.

Desespero de quando a casa vazia, de repente, se lota.
Crianças, portas batendo, cochicho, fazer café, colocar fronha, sorrir, presentes, conselhos, conspirações, tevê ligada, ninguém assistindo, gente falando, ninguém escutando, cantos da casa bem por apanharem um bando de gente.

Desespero de quando todos se vão.
Quando tudo retorna ao silêncio, ao estático e sombrio e vem a vontade de fazer bastante café. Vai que voltam.
Talvez o melhor seja, mesmo, lavar a louça, empilhar os copos que vêm em conjunto de doze, guardar os colchões, descer do sótão, olhar no relógio que pisca vermelho, carente e triste no ultrapassado aparelho de vídeo cassete.

É que chegou, imperativa, a hora de se esconder do silêncio, que antes de rompido era até tão bonito.


quarta-feira, 30 de março de 2011

syn

levada
cevada
mordi a isca você
com aquele rebolado que só se tem com um anzol na boca

ao roteiro de sinta-sabores
você, meu personagem e eu a tua
você, o sabor musicado.

ao som que só se ouve quando se olha.
quando se te olha.

a música que compra minhas tristezas
depois me força a comprá-las de volta, com juros ao contrário.

a música que toca lenta quando me quer seduzida
acelera quando me quer enforcada naquela força hipóxica, cujo torpor se passa por Paixão

a música que se sabe boa, pelo bater dos pés, que sabem de antepé qual batida rítmica devem pisar.

e que se sabe maleita, quando hesita e finge a próxima batida e me engana o pé e o coração
só porque me ama.
e quem ama faz isso de surpreender
e de tirar o o ar só para devolvê-lo boca-a-boca.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Tem hora que eu sinto que o mundo está desabando,
na verdade, ele está só se construindo de ponta-cabeça.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

debaixo da mesa

vontade de cantar "naquela mesa" fingindo ser o filho.
de cantar, saudando os animados e os inanimados que tenham, um dia, testemunhado aquêle amor persistente.
mas não saudadando uma saudade que se sonha.


meu avô morreu num acidente de carro.
meu pai, ainda criança.
no mesmo dia, meu pai se suicidou.

bem antes de ter carrinho de rolimã,
barba,
de se casar
e de ser pai.


Deus deve perdoar criança que suicida.
perdoe! talvez, na época, o verbo nem fosse tão reflexivo...


"e hoje ninguém mais fala no seu bandolim
na-na-na-na-na-na-na
e a saudade dele, tá doendo em mim"


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

somatódio



1. "aquela cápsula de cor primária e tamanho infeliz
quando a abrimos
e não tinha nada!
apodreceu!
e o podre só se torna mais podre quando some
apaga
é nada"


2. medicados, cápsula por cápsula
e os doentes se curam, tomando-as no horário certo
com leite, com água, com reza
com tosse, com dor, tristes
e vem a voz serena, a analgesia, alegria.

e o remédio cura, posterga, funciona, inspira
e ninguém perguntou:
-E o Remédio?
-Não é nada...
Adoeceu? Onde dói? Irradia? Qual frequência? De zero a dez?
Ficou triste? Deprimido?!
Emagreceu muito, foi...

Σ. Lei da compensação.

domingo, 19 de dezembro de 2010

"pra mim chega"

e o estalo que o tirar do cinto de segurança faz em si e no coração
estala também o medo de solidão
solidão
o começo
ou o fim da discussão.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

carta a e (ou mordaz)

"entenda que eu te entendo
e entendo que muito do que soa baixinho e que parece silêncio é, na verdade, distância"




um dia eu te disse e em outro repeti Não sonhe comigo
mas talvez você o tenha feito
inconsciente e literalmente mesmo.
me delineou de um jeito que desejou delinear
e no dia seguinte eu te apontei que meu delineador é todo borrado nos olhos e em mim.
não supro expectativas.
as-sopro.
me poupo e faço aquilos, de charmes e graças, coisinhas que vou fazendo que não custam, não valem e
não enriquecem ninguém.
não sou quem pareço.
e muito menos pareço ser quem eu sou. tudo num gerúndio.

não vou dizer Te avisei porque parecerá que agi daquela maneira só por sarcasmo e pra te mostrar meu ponto.
só quero pedir
perdoe seu Sonho, ele não me sonhou por maldade.

domingo, 21 de novembro de 2010

Deus me proibiu de Amar até hoje só porque eu seria uma completa louca.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pedal do meio

Nada como duas horas no trânsito.
Suficientes para sentir os
32,5ºC como se fossem vinte, depois quarenta, depois molhados.

Nada como tira
r a sandália e não tirar os olhos do meu retrovisor com medo de se repetir a mesma cena de assalto (se bem que, se ele vier pela janela do passageiro...já tenho um celular reserva em um dos porta-copos).
"Vou deixar a janela meio aberta mesmo". E agradecer o pote de mil mentos que comprei só porque cabe certinho no meu outro porta-copos ocioso e também como previdência para um belo trânsito sextafeiral.
Li o final do conto do Veríssimo, vi se minhas unhas já secaram, buzinei, estressei, odiei e fechei a janela quando parei do lado do boteco (não daqueles sujos dos quais eu imunizadamente amo tomar café no copo americano) de aparência e clientes asquerosos.
Eu tinha que ficar na faixa da esquerda rápido...não por nada, só pra gritar "Goiabaaa!!".
E eu comprei a inflacionada e mais deliciosa transgênica goiaba vermelha do mundo dos faróis!
Dai tudo ficou bonito mesmo. Meu ipod descobriu que não pode tocar Kitaro depois de tocar Roulette Dares, minha maquiagem se descobriu derretida e a chuva choveu, parou e brisou um vento digno de correr o risco com as duas janelas abertas e de aumentar o som e jogar o braço pra fora e sentir algumas gotas persistentes.
E assim eu me despedi da flor presa no meu vidro da frente que cuidou de ficar lá comigo por duas horas até a nova chuva.
Que choveu na hora certa o suficiente pra preparar o mato daqui de casa, que se perfumasse com aquele cheiro molhado e verde dos serenos...
Serenidade em hora tão irônica e mais bem-vinda.

domingo, 31 de outubro de 2010

"no meu mundo cachorro late ao contrário
o leite com mate tem nata
o cara parado na escada bonzinho bandido vem no primeiro trem cafungando
no segundo trem três dedos na coxa dóem
ligam
eu penso Paulo, você aceita bilhete?"


odiei me sentir cobrada por quem fosse.
pronto,
um rascunho em um dia tenso do qual eu não consigo decifrar o que escrevi, que ficará assim, rascunho.