segunda-feira, 28 de junho de 2021

débito aberto

Essa coisa Rê, que não tem nome. Por um lado é uma delícia me sentir livre em ser quem eu sou a hora que eu quiser (será?). Mas honro tanto o quanto aprendo dentro das relações e pra isso, precisa não de nomes, mas de referências dentro das relações 

- Uma falácia achar que não vai ter molde. Não é da ordem se ficou com alguém ou não...

Fico sem referencial 

- É só o acaso? 

Sei que ninguém se pertence, que ninguém tem que estar aqui nem ali nem quando.  Mas eu queria saber aonde está pra mim. Tenho aprendido com minha gula que hoje prefiro degustar mais cada situação. Poder vivê-las o mais verdadeiramente possível 

- Se apaixonar não é do ego . Tem uma lógica narcisista do não ceder, do não se arrebentar. Eu adoro me arrebentar. Querem intensidade mas não querem entrega...E a conta não fecha. 

É, a conta não fecha 

- Financeiramente não vale a pena se relacionar 



sábado, 26 de junho de 2021

eclipsada

Que angústia é essa?

Dilacera o peito

só de não ter notícias suas há poucas horas


Dói como eu inexistisse no período

Dói como rejeição

Dói como ficasse eu pontilhada


Dói como todas as mulheres do mundo estão agora interessadas em você

e você nelas em uma pandêmica orgia orgástica desprotegida sifilítica


Dói como se, para na hora do prazer, o contraste se fizesse prazer por si 

e por isso, dói como que estrategicamente projetado para doer e contrastar prazer


E que vazio é esse que surge também em contraste à sua presença? 

Por que então te chamei para preenchê-lo?


Mas que caralho, não?

Esse tal de tampa e destampa


Já sei sim, mentalmente sei que não ando em círculos, mas em espiral

Mas 

na hora de experienciar é a mesma danada roda redundante que cicla em si e dói igual



quarta-feira, 23 de junho de 2021

podem me levar (se)

Se chamam de louco

Quem em sua caminhada vive tropeçando em amor

E se loucura for crime 

Podem me prender 


Se chamam de bruxa 

Quem dança para o fogo e para a Lua

E, ironicamente, se seu destino for a fogueira 

Podem juntar lenha   


Se chamam de pecador 

Quem honra a absolutamente tudo o que vive, tudo o que não vive, tudo que se escuta e o que não se escuta 

Absolutamente todo o gerado pelo Um 

E se o pecado for uma desonra imperdoável 

Quem desse universo abundante não perdoaria?


Se for julgado

Quem colhe da fumaça sopro às sete direções   

Quem mobiliza do rio energia 

Quem sangra na terra 

Faz cantando 

Faz vibrando

Uivando 

Entoando 

Quem recebe Deus 

Está Deus 

É em Deus 

E é Deus  

(...)

Condenem-me 

Estou liberto









sábado, 19 de junho de 2021

querido diário (ou Aho Grande Espírito, Aho Pachamama)

Tenho sido acometida por um sentimento muito grande

Interessante que falei “grande”

Nem bom nem ruim, porque eventualmente o vetor se desloca nos eixos das múltiplas dimensões 


É tão grande que vai de ser caudaloso, muito poderoso, de muito Amor, de muito amparo 

De alívio

Para a sombra da represa deste rio 


Às vezes se confunde com paixão, quando está sombreado 

Às vezes sinto uma saudade 

Tão grande 

Que incomoda 

e revela um buraco 

De um dos buracos que não foram preenchidos mesmo neste estado despertado de Amor


É gostoso o adolescentil permitir-se a passear por essa floresta de rios 

De animais selvagens 

De cipós e folhas 

De Lua escondida 

Limpar-se de lama 

Rugir de volta

Sem vergonha

Sem nada 


Mesmo

Com buracos

Com buracos tapados - por quem? até quando? se quem, se quando 

Com vales e dunas e fossos e falésias 


Natureza, sou parte dela 

Sou e vivo esse vetor dançante

E bem vindo seja o sentimento grande 


quinta-feira, 17 de junho de 2021

me fascina 

o gingado calmo com que danças no tempo 

me leva a dançar como folhas bailando ao vento

sem pressa

só movimento 

de contentamento 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

virar mar

sou muita água

a sombra disso é represar

vou sendo rio até cachoeirar 

ou então virar Mar