quinta-feira, 27 de março de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
Cresce se
- Mas há chuva! Ela está se esforçando para me alcançar com seu som atravessando concreto.
- Mas e se e se e se?
- Se muitos ses que pra que sês?
Início do vigésimo quarto Outono
Mais um pra coleção de Presentes
Hoje é meu aniversário!
Enquanto escrevo, continuo dentro do meu carro,
dentro da vaga - que logo hoje foi difícil demais estacionar -
dentro da garagem
dentro do meu prédio.
Antes de abrir a porta do carro e seguir para o carro-elevador-apê-jantar-chá-dormir,
acabei prestando atenção nos objetos daqueles que abandonamos no painel, no console, na vida.
Foquei em dar a tudo um rumo. Meu lema era lhes dar um bom e digno destino.
Quando me dei conta, minha respiração ritmicamente serena.
Em minha cabeça, pensamentos simples se formavam inspirados no que eu segurasse.
Tudo começou a me abrandar.
Cheguei organizar, também, em minha mente, meu dia.
O que passou, o que quero fazer amanhã
O que quero contar a quem estiver lá em cima no apartamento.
Quero falar de coisas boas.
Nessa hora senti uma harmonia bem objetiva, menos mirabolante que nossa feminina mente, e mais masculina, de carro constantemente ajeitado. Eureca desse belo hábito tão bem mantido por muitos homens dos "tais" carros. Mulherada curtindo, inconscientemente, não só os caras, nem só os carros. Entrar no carro-da-mente-limpa é afrodisíaco!
Pensei nisso e ri,
e assim que o som da minha risada acabou, eu escutei.
Há uma deliciosa chuva caindo lá fora.
- Mas estou dentro dum carro dentro da vaga dentro da garagem de dentro do prédio.
Não gosto muito dessas coisas de Céu recortado por amontoados prédios,
quem me conhece já ouviu minhas odes dessa Natureza.
- Estou exatamente onde eu devia estar.
Melhor desligar o rádio, agradecer pela chuva e por todos os Amores
Dores
Água
Fé
Empatia
Gentileza
Paciência
Chances
Insights
Conversas inspiradoras
Carências - me desculpem os magoados, logo hoje.
Obrigada por mais esse ano de vida,
Com esse Dia Presente tão intenso quanto uma Vida inteira.
Obrigada pelas Lembranças,
Obrigada, Presente, Fé
É TUDO,
escuta bem,
SINÔNIMO.
20.03.14
- Mas e se e se e se?
- Se muitos ses que pra que sês?
Mais um pra coleção de Presentes
Hoje é meu aniversário!
Enquanto escrevo, continuo dentro do meu carro,
dentro da vaga - que logo hoje foi difícil demais estacionar -
dentro da garagem
dentro do meu prédio.
Antes de abrir a porta do carro e seguir para o carro-elevador-apê-jantar-chá-dormir,
acabei prestando atenção nos objetos daqueles que abandonamos no painel, no console, na vida.
Foquei em dar a tudo um rumo. Meu lema era lhes dar um bom e digno destino.
Quando me dei conta, minha respiração ritmicamente serena.
Em minha cabeça, pensamentos simples se formavam inspirados no que eu segurasse.
Tudo começou a me abrandar.
Cheguei organizar, também, em minha mente, meu dia.
O que passou, o que quero fazer amanhã
O que quero contar a quem estiver lá em cima no apartamento.
Quero falar de coisas boas.
Nessa hora senti uma harmonia bem objetiva, menos mirabolante que nossa feminina mente, e mais masculina, de carro constantemente ajeitado. Eureca desse belo hábito tão bem mantido por muitos homens dos "tais" carros. Mulherada curtindo, inconscientemente, não só os caras, nem só os carros. Entrar no carro-da-mente-limpa é afrodisíaco!
Pensei nisso e ri,
e assim que o som da minha risada acabou, eu escutei.
Há uma deliciosa chuva caindo lá fora.
- Mas estou dentro dum carro dentro da vaga dentro da garagem de dentro do prédio.
Não gosto muito dessas coisas de Céu recortado por amontoados prédios,
quem me conhece já ouviu minhas odes dessa Natureza.
- Estou exatamente onde eu devia estar.
Melhor desligar o rádio, agradecer pela chuva e por todos os Amores
Dores
Água
Fé
Empatia
Gentileza
Paciência
Chances
Insights
Conversas inspiradoras
Carências - me desculpem os magoados, logo hoje.
Obrigada por mais esse ano de vida,
Com esse Dia Presente tão intenso quanto uma Vida inteira.
Obrigada pelas Lembranças,
Obrigada, Presente, Fé
É TUDO,
escuta bem,
SINÔNIMO.
20.03.14
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Pi Ri Rili Pruuum Pa bum Pa
Parei pra refletir onde foi que a palavra "conexão" perdeu sua brilhante importância.
Tá todo mundo conectado, conectando...com o que?
Em qual dimensão?
Quem se lembra de como é que fazíamos pra conectar, antes do barulhinho da internet discada?
Do valor de um aperto de mão, de uma conversa em que se olha, de escutar uma conversa que parece desinteressante, de se esforçar pra entender um chinês falando inglês há menos de um mês?
Acredito que todos sabem do que estou falando, talvez só tenha ficado latente esse poder de nos conectarmos.
Sou otimista,
tudo o que é latente pode germinar!
Tá todo mundo conectado, conectando...com o que?
Em qual dimensão?
Quem se lembra de como é que fazíamos pra conectar, antes do barulhinho da internet discada?
Do valor de um aperto de mão, de uma conversa em que se olha, de escutar uma conversa que parece desinteressante, de se esforçar pra entender um chinês falando inglês há menos de um mês?
Acredito que todos sabem do que estou falando, talvez só tenha ficado latente esse poder de nos conectarmos.
Sou otimista,
tudo o que é latente pode germinar!
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Ontem foi um dia complicado.
Que a vida é como ondas que vão, vêm, ressacam, acalmam, tsunamam, dá pra entender.
Mas a real é que, por mais que eu lembre "ontem foi maravilhoso", não basta eu tentar lembrar como estava meu espirito e minha paz, e tentar reproduzi-lo. Ontem foi ontem, hoje é hoje.
Precisa de algo mais do que memória, algo que desloque. Que acorde a energia e que iniba a tristeza, ...a revolta, a polêmica que atingiu nossos ouvidos.
Meus recursos geralmente se resumem a: rezar (que, na real acho mais fácil pra agradecer, enquanto feliz, do que pra choramingar e reclamar das injustiças), escutar uma boa música (que as vezes confundo na escolha de ser mais agitada ou mais melancólica, e posso acabar acentuando a confusão), me exercitar (suar, pensar no equilíbrio, liberar endorfina...sempre delicioso, mas à meia-noite de ontem não dava), meditar (esvaziar a mente, concentrar no corpo e na respiração). Tentei alguns minutos de cada, mas meus pensamentos não iam embora.
Aprender sobre a origem da vida, sobre a geometria perfeita, sobre quão simples pode ser mudar a chave do nosso humor, me transborda uma energia pra querer MUITO sobreviver, ser feliz, ser saudável, ser maravilhosa, ser linda, ser mais, ser HOJE, ser sempre, ser pra mim, ser para os outros, ser espírito, ser una, ser todos.
Que a vida é como ondas que vão, vêm, ressacam, acalmam, tsunamam, dá pra entender.
Mas a real é que, por mais que eu lembre "ontem foi maravilhoso", não basta eu tentar lembrar como estava meu espirito e minha paz, e tentar reproduzi-lo. Ontem foi ontem, hoje é hoje.
Precisa de algo mais do que memória, algo que desloque. Que acorde a energia e que iniba a tristeza, ...a revolta, a polêmica que atingiu nossos ouvidos.
Meus recursos geralmente se resumem a: rezar (que, na real acho mais fácil pra agradecer, enquanto feliz, do que pra choramingar e reclamar das injustiças), escutar uma boa música (que as vezes confundo na escolha de ser mais agitada ou mais melancólica, e posso acabar acentuando a confusão), me exercitar (suar, pensar no equilíbrio, liberar endorfina...sempre delicioso, mas à meia-noite de ontem não dava), meditar (esvaziar a mente, concentrar no corpo e na respiração). Tentei alguns minutos de cada, mas meus pensamentos não iam embora.
Aprender sobre a origem da vida, sobre a geometria perfeita, sobre quão simples pode ser mudar a chave do nosso humor, me transborda uma energia pra querer MUITO sobreviver, ser feliz, ser saudável, ser maravilhosa, ser linda, ser mais, ser HOJE, ser sempre, ser pra mim, ser para os outros, ser espírito, ser una, ser todos.
Ser Ser, Amor. E dividir.
Estou perdidamente apaixonada:
21.02.14
Programa digno de uma cheia Lua do Valentino.
Esse Valentino não tenho muita certeza de quem seja, mas depois de ele comprar estoques de neve que caíssem sobre minha janela, cancelar minha viagem do feriado, carinhosamente deixou na minha carteira um ingresso de cinema e um vale-salaaaaada. Assinou embaixo dizendo "Have fun". Depois de entrar no cinema, assistir a um excelente filme em preto e branco chamado Nebraska, fui comer uma salada mexicana, num lugar maneiro que dá vontade de dançar e mastigar ritmicamente.
E não foi no filme, tampouco sobre o luar. Foi no Starbucks que me veio a vã filosofia: "Dois dedinhos de pinga estão para Caramel Macchiato, assim como nossos botecos estão para Starbucks."
Há cinco minutos sentada, esperando o busão 42, em volta de mim há pelo menos cinco (juro) diagnósticos mentais diferentes.
Enquanto começo a tomar nota, eis que começa a tocar "eeeexte samba que é misto de maracatu, é samba de preto velho samba de pretu tu", eu dou uma risada, controlo pra que não seja muito alta, vai que alguém tomando a mesma nota escreve "seis diagnósticos diferentes". Meu Chai fica ainda mais sonoro quando o cara que antes sorria ininterruptamente começa a falar sozinho, claro que educado como os americanos, auto-conversa baixinho.
Então ele diz:
-Banana!
E todas as moças do caixa repetem a palavra e começam a fazer barulho de selva, puta que pariu!!! Que foi que eu comi naquele mexicano? De repente entrei num filme do Buñuel e to fazendo parte do script.
Por fim, moça solitária que observava de bastante perto a chinesa jogando game boy, então, se despede enquanto eu inicio uma conversa com o jovem negro ao meu lado, nascido na África, morado na Arábia Saudita (conversou em árabe como um nativo) e na Índia (onde aprendeu inglês, como um nativo) e que agora estuda Políticas Sociais e Econômicas e espera os amigos atrasados pra balada.
Alguém pode me preparar um Macchiato com dois dedinhos de anti-cogumelo?
Valentino escutou meu pedido, chegando na Gerry House a banheira estava cheia, água quentinha e, ao lado, uma sopinha de clam chowder da Cafteria.
Valeu, Val!
Esse Valentino não tenho muita certeza de quem seja, mas depois de ele comprar estoques de neve que caíssem sobre minha janela, cancelar minha viagem do feriado, carinhosamente deixou na minha carteira um ingresso de cinema e um vale-salaaaaada. Assinou embaixo dizendo "Have fun". Depois de entrar no cinema, assistir a um excelente filme em preto e branco chamado Nebraska, fui comer uma salada mexicana, num lugar maneiro que dá vontade de dançar e mastigar ritmicamente.
E não foi no filme, tampouco sobre o luar. Foi no Starbucks que me veio a vã filosofia: "Dois dedinhos de pinga estão para Caramel Macchiato, assim como nossos botecos estão para Starbucks."
Há cinco minutos sentada, esperando o busão 42, em volta de mim há pelo menos cinco (juro) diagnósticos mentais diferentes.
Enquanto começo a tomar nota, eis que começa a tocar "eeeexte samba que é misto de maracatu, é samba de preto velho samba de pretu tu", eu dou uma risada, controlo pra que não seja muito alta, vai que alguém tomando a mesma nota escreve "seis diagnósticos diferentes". Meu Chai fica ainda mais sonoro quando o cara que antes sorria ininterruptamente começa a falar sozinho, claro que educado como os americanos, auto-conversa baixinho.
Então ele diz:
-Banana!
E todas as moças do caixa repetem a palavra e começam a fazer barulho de selva, puta que pariu!!! Que foi que eu comi naquele mexicano? De repente entrei num filme do Buñuel e to fazendo parte do script.
Por fim, moça solitária que observava de bastante perto a chinesa jogando game boy, então, se despede enquanto eu inicio uma conversa com o jovem negro ao meu lado, nascido na África, morado na Arábia Saudita (conversou em árabe como um nativo) e na Índia (onde aprendeu inglês, como um nativo) e que agora estuda Políticas Sociais e Econômicas e espera os amigos atrasados pra balada.
Alguém pode me preparar um Macchiato com dois dedinhos de anti-cogumelo?
Valentino escutou meu pedido, chegando na Gerry House a banheira estava cheia, água quentinha e, ao lado, uma sopinha de clam chowder da Cafteria.
Valeu, Val!
14.02.14
Vento-tempo
A vida são páginas que é o vento-tempo quem se encarrega de folhear,
a sua moda aleatória.
Sorteia o capítulo a seu livro-arbítrio.
E a gente nem se da conta de estar lendo a própria existência em páginas numeradas e desordenadas.
Tem tanto nome de personagem que torna impossível prever quem deles talvez continue até o final da história.
(Que final?)
a sua moda aleatória.
Sorteia o capítulo a seu livro-arbítrio.
E a gente nem se da conta de estar lendo a própria existência em páginas numeradas e desordenadas.
Tem tanto nome de personagem que torna impossível prever quem deles talvez continue até o final da história.
(Que final?)
"Toda estória pode ter feliz seu final;
basta, primeiro, apaixonar-se, escolher e arrancar sua melhor página....
Em seguida, pode-se anexa-la à brochura final,
inicial,
usa-la como marca-páginas.
Caso surja página melhor, a antiga funciona bem como mata-borrão."
08.02.14
Dez minutos excedidos de Bubbaloo
Quem dera eu pudesse soubesse
Deixasse ser
O minuto
O segundo
A amizade
O amor
O sabor
Fosse eterno ...
Enquanto breve
E quanto ecoasse
Em forma e forma boas lembranças.
Não haveria eu de tentaria prolongar
Esticar
Ampliar
Falsificar eternidade.
Aquele já ditasse e todos ouvíssemos
"eterno enquanto durasse"
Não enquanto inventasse.
Viveria com menos atuasse.
Viveria com mais presença.
Viveria
E somente.
Só mente e sem mentisse.
Intrínseco agradecesse,
imprevisível retornasse.
Contentasse com o que fosse, como fosse, tempo fosse.
-Amor amigo tempo, me entrego. Tenha-me na tua natureza, e não a tua na efêmera minha. Há Deus.
Deixasse ser
O minuto
O segundo
A amizade
O amor
O sabor
Fosse eterno ...
Enquanto breve
E quanto ecoasse
Em forma e forma boas lembranças.
Não haveria eu de tentaria prolongar
Esticar
Ampliar
Falsificar eternidade.
Aquele já ditasse e todos ouvíssemos
"eterno enquanto durasse"
Não enquanto inventasse.
Viveria com menos atuasse.
Viveria com mais presença.
Viveria
E somente.
Só mente e sem mentisse.
Intrínseco agradecesse,
imprevisível retornasse.
Contentasse com o que fosse, como fosse, tempo fosse.
-Amor amigo tempo, me entrego. Tenha-me na tua natureza, e não a tua na efêmera minha. Há Deus.
02.02.14
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
tão sempre movida pelo coração
assim move-se, também, minha inspiração
pensava eu que um grande amor me pariria buquês de poemas.
mas meu maior jardim até hoje registrado foi regado por desamores,
desencontros,
descontroles.
amando eu quero amar,
esqueço da caneta e da cabeça,
pra mais tarde encontrar guardanapos escritos com uma grafia abstrata, quase ilegível,
nos quais guardo meu outro jardim, o secreto,
incapaz de ser expresso, esconde-se.
Amor escapa até da arte,
nobre, hesita submeter-se a metalinguagem.
assim move-se, também, minha inspiração
pensava eu que um grande amor me pariria buquês de poemas.
mas meu maior jardim até hoje registrado foi regado por desamores,
desencontros,
descontroles.
amando eu quero amar,
esqueço da caneta e da cabeça,
pra mais tarde encontrar guardanapos escritos com uma grafia abstrata, quase ilegível,
nos quais guardo meu outro jardim, o secreto,
incapaz de ser expresso, esconde-se.
Amor escapa até da arte,
nobre, hesita submeter-se a metalinguagem.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Assobie, Saudade
Uma mulher encontrou um homem. O homem completa a mulher, assim pensa ela. Homem é quem eu precisava encaixar na minha rotina louca, que é a rotina de uma mulher - pensa a mulher.
Ela analisa o Homem quando este toca a campainha, ela analisou como foi o sonar da campainha.
- Estaria ele bravo? Ora...bravo não! Talvez esteja com pressa! Talvez, porém, esteja com as mãos cheias de alguma surpresa pra mim, e seu dedo pressionou com uma burra força a campainha. Hm, sinto cheiro de flores!
O Homem estava normal. Muito normal. Mãos no bolso olhando algum detalhe qualquer numa mira simples. Ela, então, reparou nas trepadeiras da parede e pensou: ainda bem que é só a natureza que está conspirando a favor, não tenho nenhum vasinho bonito pra colocar as flores, ele me acharia desmazelada.
Quando voltam seus olhos para os olhos do Homem, ela lhe dá um abraço desengonçado e verdadeiro, mirando o jardim, mentalizando agradecimento ao destino, enquanto cafunga forte o pescoço do Homem.
O Homem:
Quando voltam seus olhos para os olhos do Homem, ela lhe dá um abraço desengonçado e verdadeiro, mirando o jardim, mentalizando agradecimento ao destino, enquanto cafunga forte o pescoço do Homem.
O Homem:
- Toquei a campainha. Celular, carteira, chave do carro, rádio do carro. Tudo aqui.
Porta abre:
- Cheiro gostoso na casa. Vestido interessante. Hmmmm, que delícia tudo que eu senti nesse abraço.
A Mulher cozinhou em todas as vezes que o Homem vinha, mesmo que a visita fosse só para buscá-la para irem a um lanche.
- Qualquer coisiiiinha. Amendoim com um cházinho. (Para minha auto-confiança plena do momento, desejo muito saber se ele realmente iria gostar das refeições, pra caso a gente more junto. Ah! "Caso" não, a gente vai morar junto! Ah, a Lua de Mel, vai ser tão linda!)
O Homem conheceu a Mulher onde trabalham. Ela estava sempre com o gancho do telefone em um ouvido na última mesa do escritório, ao lado da cafeteria do andar. Algumas vezes a outra mão da Mulher estava remexendo algumas madeixas de cabelo. Uma vez era a caneta que ela estava mordendo, mas talvez só essa o Homem tenha percebido. Ele só quer pegar café e acha bonitos os peitos da vizinha da cafeteria. Quando lancha sozinho, se diverte em colocar uma cadeira em direção ao Gabinete dos Peitos.
A Mulher, um dia, percebeu. Bem na hora que escrevia um recado importante no telefone. Percebeu que um Homem olhava pra ela, tão fundo em seus olhos que, acelerada, deixou o gancho cair. Agachada para pegar o telefone caído, a mulher manteve seu foco no Moço, notou que ele lhe deu um sorriso.
O Homem, com a xícara próxima a seu rosto, achou interessante que sob essa perspectiva seus peitos ficaram ainda mais excitantes, sorriu. Hoje eu sou um Super-homem, pensou e contraiu os músculos de seu iniciante peitoral.
O Homem gosta de bons filmes, boa música, boas lingeries.
Gosta de compartilhar com a Mulher. Acha interessante que ela tenha outros pontos a favor. Fala sobre o filme italiano e, contente, acaba falando de um filme muito longe de um gosto feminino, e se surpreende quando ela diz que sim, que assistiu. Ele desacredita!
Ele gosta de ser o motorista de seus encontros. Ele acha carinhoso isso, de ela cozinhar. Ela coloca pouco sal e ainda não percebeu que eu não gosto de pimentão, mas é gostoso se aconchegar numa casa grande e limpa, tomada pelo vapor quente da cozinha. Em casa, muitas vezes, ela o recepciona com um roupão grande, difícil de saber se ela está sem nada por baixo. Ele é o Super-homem quando acredita que ela se comporta mais safada em alguns desses dias.
Uma vez ele lhe trouxe flores.
O Homem gosta de conversar com a Mulher por conseguir não falar do emprego. Ela só atende telefones e pouco entende do meu stress na empresa. E nem precisa entender. Farei dela meu porto-seguro. Meu escape. Minha fuga e meu prazer. Deleite.
O Homem gosta de você, diz a Amiga. Mas ele não está te fazendo bem, continua, alisando os ombros da Mulher.
A mulher escuta a Amiga já há mais de dez anos, e sempre ouve muito emotiva e considera o que está sendo dito. Geralmente, perde mais tempo sendo emotiva.
A Mulher percebe que precisa rever o relacionamento. Precisa rever sua felicidade, colocar ambos em gráficos, analisar a intensidade pelo tempo, data por data. A Mulher precisa também rever quais eram, mesmo? Os critérios do meu homem Perfeito?
A Mulher precisa cozinhar, mas assim que ele chegar, ela tem que parar de pensar nisso. Tem que fingir um orgasmo da rotina. Ela saltita, estabanada, em direção à campainha que toca, antes de dar uma última profunda inspirada. Coloca as mãos na maçaneta.
Algo retarda seu movimento de abertura da porta. Ela paralisa e sente seu rosto aquecendo. O calor começa a percorrer um caminho ascendente para seus olhos, e seus olhos alcançam uma temperatura fervente.
Ela tenta inspirar de novo com mais calma, ele não pode ouvir do outro lado da porta.
Os olhos então são encharcados pelas bombeiras glândulas lacrimais, a expiração sai soluçada.
O Homem esfrega as mãos de frio e está ansioso para entrar desde quando ouviu o estalar na maçaneta. Ouviu, também, um som indiferente.
A Mulher, ajoelhada, ouviu a campainha tocar mais uma vez.
Seu celular tocou cerca de meia hora depois de ter se esparramado, melancólica, pelo chão.
Sentia o vento de fora arrepiar-lhe as costas e tolerava-o. Tem sempre que provar pra si que pode tolerar circunstâncias difíceis. Provar que ela era corajosa, capaz e carente de amor. Que o Amor logo ocuparia o caminho do vento, remexendo seus cabelos e assobiando a primeira música que seu Homem lhe apresentou.
Passou a noite em claro na mesma posição torturante. O silêncio não fora interrompido uma vez, sequer. Nem o telefone, nem o vento mudou sua vibração.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Mulher é uma coisa, homem é outra, não tem como nem razão pra duvidar.
Se fosse pra mulher, na verdade, ter barba como um interessante aspecto positivo, ela talvez teria características imprevisíveis que o homem apresenta por ser ele, o bonitão de barba.Se fosse pra homem ter cabelo comprido e passar horas na elaboração de seu bom aspecto mínimo ou luxuoso, ele teria que pedir pra mulher esperar sempre mais uns minutinhos; 'mas já são 17:40 e o filme é às seis!' Tanto tempo extra ele passaria olhando nomes de shampoo do que de gilete. Nós é que saberíamos o melhor creme de barbear, afinal no Mercado haveria bem mais opções de "para barbas tingidas e danificadas pelo Sol".
Mulher menstrua. Isso não deveria ser um horror. Pra ninguém, especialmente para aquele que menstrua - sequer mentalizo traçar uma imagem de um homem pós menarca tão simples quanto a do homem de cabelos longos.
Não digo em letras minúsculas, digo sobre Homem e Mulher. Aquilo que todos sabem onde está a diferença e a semelhança, que é sempre tão similar e diferente ao mesmo tempo.
Mulher tem que fazer xixi em diversas posições. Ora confortável, ora quase confortável. Ou é a tampa da privada fofinha de casa, ou é mandar a cócoras no banheiro turco. E engraçado que quanto menos confortável, observei nossa delicada e forte maneira de nos concentrarmos. Sob a perspectiva do fazendo-xixi-na-rodoviária existe uma garrafa 2D delineada pelo contorno interno de nossas coxas. Não é nada demais, mas é uma perspectiva de nosso próprio corpo humano que talvez mais mulheres notem que homens. E isso também pode ser nada demais. Se nos concentramos em criar uma terceira dimensão, podemos pressupor, empiricamente, o quanto de uma garrafa estamos enchendo por xixi. Sei lá, vai que quando a água do mundo acabar isso seja estratégia de sobrevivência essencial para diabéticos.
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