quarta-feira, 28 de outubro de 2015

d'ao âmago

Se isso veio do âmago, a ele me destino:
Amor é o tal universo
É o que circunda e o que compõe
Está na mitocôndria, na estrela e no invisível

O amor é a ordem
É a verdade
Já imaginou como seria o universo se a verdade fosse o anti-amor?
Não seria

Concordo que as doutrinas nos cegam
Mas é a cegueira que melhor nos faz enxergar
Aprendendo a ver
E isso é individual

Vêm de cima a doutrina
Cria-se hierarquia que se auto-cria
Não pode amar a si,
Mas egocentrismo pode.
Transar não pode,
Mas pode beber e vomitar.
Se envolver não pode,
muito menos declarar amor e ser entregue,
Mas trair pode.
Não saber ler não pode,
Mas saber falar e manipular pode.

Está tudo construído por aí ao contrário.
É o jogo da vida montar peças desordenadas em forma harmônica.

Amar a sí não é ego
É vida
É tudo
É o redor

Aceitar os fatos não é comodismo
É perdão, lucidez
Querer evoluir não é querer mudar radialmente
É um simples passo
Nem passo é. É a intenção do próximo passo.

Espero que você ame seu corpo da forma como ele te ama e não se esquece de piscar, respirar, sentir.

Perceba que o coração, que é vida, se move assim:
Contrai
Expande

Portanto essa é sua natureza.
Paciência na contração
E consciência na expansão.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Gosto do que gosta de mim
E gosto quando me conta e realizo o quanto idem.

É amar-se pela boca dos outros olhos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Omniverso

Silêncios e olhos desviados amanheceram o domingo.
Logo
retornou a palavra falada, em tons e temas materiais, para que o implícito não continuasse ensurdecendo suas cabeças com pensamentos afoitos.
O domingo passou,
estava a se despedir do ponteiro das 11 horas,
quando a janela foi aberta.

- Tu não passa de uma partícula de um Universo.
- E ?
- Pode criar o que quiser, com passos micro. Passos-tamanho-pensamentos-piscar-de-olhos.
- E tudo de errado que já fiz?
- São peças de você. Você não deve brutalmente esconde-las no seu subconsciente, mas sim observa-las, reconhece-las e perdoa-las. Se ainda não estiver em tempo deste perdão, então guarde-as por mais um tempo. Mas deixe no desktop, assim que tiver sua próxima sessão você pode tentar abordar.
- E depois?
- E deixe o perdão de si como Norte. Não se frustre com o que ainda não for superado e sublimado, mas intencione. Plante a ideia nesse terreno fértil divino. Eu já comentei, e volto a me deleitar na metáfora: no livro O Poder do Subconsciente, há uma didática maneira de compreender nossa existência humana. Nosso consciente, este capaz de digitar, ler, falar, planejar, interagir; é um conteúdo imerso no continente Subconsciente. Mais ou menos como uma gota de um oceano, com poderes especiais de intencionar e agir. Tudo o que rodeia o consciente, é como um jardim fértil, divinamente fértil e onipotente. Se o jardineiro do seu consciente escolher qualquer semente, ela crescerá. Se pensar ou falar "hoje o dia está realmente fadado à frustrações", realmente isso acontecerá. Brotará. Se pensar "neste próximo instante farei algo do bem e produtivo", isso acontecerá. Sem grandes esforços nem radicalismos..No que você está pensando?

Lenta e sorrida, a resposta se derramou na sala:
- Viajei..estou sentindo essa...

- Quando vier pensamento vicioso, não solucionável, auto piedoso ou masoquista, corte pela raíz. Policie-se para identifica-los logo que começarem. É possível sentir um aperto no peito, portanto imediatamente corte o pensamento em sua primeira bifurcação de galhos. E perdoe-se. Você é um cara sem rancor de ninguém do mundo, a não ser de você mesmo.
- Como assim? Ah, não sei. Não acho..não sei.
- Sublime o que os outros introjetaram na sua consciência faladora insoniante. Resgate o que é fundamental para o seu Ser. Agradeça quaisquer litos que tenham calejado seu pé. Essa potencial energia de rancor pode ser facilmente revertida para energia do perdão. Sim, isso mesmo, cheio de clichês "paz, amor, perdão, uni duni tê", mas é porque é fácil assim mesmo. Até uma criança consegue entender.
- Mas e se eu me sentir fraco?
- Proteja-se até relembrar da força. Humanos tem um poder de hipnotizar o outro com um simples olhar, uma expressão ou um dogma. Esse é o tal olho gordo, cheio de digerir nossa serenidade através do portal da alma, nossos olhos. Em seguida minimize-se a partícula, e lembre que você (sua essência, sua matéria e sua mente) é inserido em perfeição. O divino que te acolhe é perfeito, forte. Se você se achar fraco, é estranho que não tenha se tornado um buraco negro implodido por incoerência. Policia tuas vibrações e tua auto-proteção/preservação. Autocentra e particulisa.
- Parece legal, mas não parece que serve pra mim agora. Estou com uma rotina muito desorganizada.
- É a bússola! É o Norte, só isso pode estar habituado errado. Mas reabitue. Lembra do "equilíbrio", nosso mantra da infância? Então, tudo está em movimento, multidimensional.  É possível acelerar, reduzir e explorar extremos destes movimentos. Invariavelmente haverá um retorno, uma compensação. Aprenda a controlar as idas e vindas para se surpreender menos com o efeito-rebote. E abuse da graciosidade que esse rebote tem! Estava ruim até agora? Ótimo, agora vai ficar melhor até ficar top. Dai vai cair de novo, pra aprender novas coisas e macetes. É linda a configuração da vida. É balanço e boomerang.
- Queria uma bússola dessas...
- Pegue, essa minha pedra grega que de azul ficou preta com meu desprender de uma história ácida de doze anos. Ela representa o que eu me sentia fraca para superar, e agora me fortalece e me torna quem sou (essência, personas, carne, tudinho tudinho). Pegue um totem qualquer. Sua respiração e seus pulsos podem ser seu totem. Um mantra, uma reza, uma boa música. E repita. Inunde seus instantes com boas intenções. Mas cuidado, não podem ser manipulados com mãos empoeiradas. Sublime a poeira da moral, da cultura, das personas, do super ego, dos outros e dos que usam premonições infernais. Lave com água corrente e perdoe, todos nós um dia estivemos vendados.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Gotas d´água se conversam.


     Sabe, sinto isso todo-santo-dia e me acho bipolar quando reclamo para, em seguida, louvar a vida com mantras, pensamentos-agradecimentos e palo-santo. Geralmente acordo mais agradecida e durmo mais reclamona. E o melhor ciclo é quando durmo em paz com a Vida, essa maravilha que há em nós, graças a Deus, que nos dá energia até de criar. 
Pena que criamos (presente do indicativo/pretérito perfeito-maisoumenos perfeito) cânceres e metástases, mas sempre tem a voz um de nós, com aquela cara zen irritante, pra dizer que "tudo está como deve estar. Você está onde deveria estar. Foque-se no presente, no aqui e no agora", mas a outra parte de mim se faz uma pergunta retórica: Mas e esse pré-câncer que já está fecundando em mim?
     Logo assumo ser cíclica mesmo. A resposta pra minhas cínicas e pessimistas retóricas é "estamos a humanidade onde deveríamos estar". Quilos de histórias e estórias nos trouxeram pra cá, nesse exato momento e configuração. E um ciclo só tem permissão de encerrar quando já foi aprendida uma lição. Qual é a nossa? 
     - Muitas. 
     - Como posso protestar? 
     - Difícil, exceto multidão unida ao tay chi chuan, juntou muita gente dá bagunça, dá barulho, ninguém entendeu o que eu gritava. 
     - Nenhum tipo de protesto? 
     - Bem...na verdade há um. É um protesto ambíguo, veja bem, esteja sereno quanto a essa bagunça toda que está rolando, reconheça sem julgamentos, culpados, rancores, e olha-que-merda-que-me-aconteceu-hojes. Simultaneamente, negue essa bagunça toda. Viva uma pulsação, uma respiração e um pensamento organizado, lúcido. Entenda o que está havendo, perceba que são muitas pequenas peças poluindo um jogo. Entenda a si mesmo, antes de tudo, saiba o que você polui em si, seja honesto consigo próprio, queira analisar fatos importantes da sua infância, da castração, do seu comportamento rotineiro. Questione sua sanidade vez ou outra. Questione amigos se há algo de errado escancarado que só o eu cagado não consegue perceber. Descubra seus prazeres, aprenda a desejar se for preciso. Vá se conhecendo, num gerúndio contínuo, e descobrindo o que te faz brilhar e o que te faz murchar. Aceite que sempre murcharás, que é sempre ciclos. A partir disso o que te faz brilhar, contagie o próximo. Sorrie quando se sentir foda e deixe esse sorriso atingir vários. Sorrie pelas diversas razões. Encontre um canto pra sentar e sentir, quando percebeu que o dia está estranho*. Afinal já disseram que temos medo do nosso brilho, e não da nossa escuridão, por isso às vezes tudo parece às avessas. Uma vez descoberto e exercitado, use esse brilho para curar seu corpo dos cânceres, a mente dos overthinkings, sua alma dos olhares, e a humanidade da sua rotina. Tipo isso, né?






*Importante: em momentos loucos grite, um belo e em alto som, palavrão do caralho. Aí é isso, uns segundinhos e logo estarei em outro momento.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

s s

a cada dia que passa
percebo o quanto amei
porque não passa

os olhos empinam cansados 
inquietos por encontrar um bom sofá
mas igual àquele olhar não há canto pra se repousar 
por que não passa

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Consertaria de biciclos do Josė Pardeaux


Meus problemas não são os vazios

são os cheios.
Nas horas de solitude, mude.
O gatilho não é o vazio que teria ficado, ficou.
Apesar de eu ser sonhadora
não crio sonhos tão claramente envolventes sementes com rostos por volta de dentes
mas muitas coisas foram por Deus se realizando.
É das realizações que gosto e com que me flagro triste,
do passado
não do futuro que não foi.

-Normal

Enquanto isso vou pedalando por eventos e ventos da vida.

sábado, 7 de março de 2015

Ality

Reconhecer-se 
sentir-se 
amado 
igualmente 
é importante
tanto 
ou mais 
para o amante

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015


que esquenta meu peito
a vida linda te pôs aqui.
A princípio desacreditei, sonhei que crescíamos juntos
até que tuas barbas
se enrolaram aos meus cachos
se uniram os fios.
Botamo uns dread e ficamo coladinho

Ao teu lado os dias recomeçam primeira-vez

conquista minha mão a confiar na tua, sem rodeios
selando a saudade do desconhecido.

Enche de brilhantes amores o redor
em linhas auroras e cruzadas
suaves tiras uma vez e meia envolventes.




para amar na primeira vez, contou-me,



os corpos devem permanecer estáticos - é sabido que de súbito uma faísca dispara caso os rostos se movam de maneira abrupta.

é necessário que os pêlos faciais amaciem e arrepiem a pele feminina, de modo a remontar às mais tenras sensações tactíveis da paisagem.

suas pernas devem tomar vida própria tal que exprimam pontualmente seus anseios e reivindicações ante aos desejos do coração.

os olhos alternar-se-ão abertos a fim de apreciar o terceiro minuto da aurora e cerrados para ceder aos demais sentidos o gozo de saborear o novo amor pelos lábios.

a respiração deve ser intensa e cadenciada; de modo algum ela deve respirar por si só - a boca deve acompanhar a outra para que não se cometa a injustiça de ceder o ar quente às flores, que acatam sóbrias o orvalho gélido da manhã.

há nesse momento o consenso de que o cedo amor deve conter notas de poesia e taninos advindos da mais nobre fermentação de cevada, embalsamando o gesto em proporções que pertencem ao mais alto escalão de Morfeu e Kronos.

Relatam os sábios eremitas que se retiraram após experimentar tão tenra sensação de que não deverá haver o perigo de titubear - se lhe carecer novos afagos, o outro prontamente se disporá de saciá-los, sob pena de o título desta obra não apadrinhar os jovens amantes. Nota: o horário ou data são irrelevantes.




por F.A.M.S.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Vizinhança

 encostar a mão sobre um rosto úmido, 
de cheiro nunca antes experimentado, 
cujo coração samba sobrevivente, 
em que a temperatura é da vida que de dentro exala;
pode ser só um movimento, pois a mão não está tão assanhada assim, 

No movimento pode haver um portal

 mergulhar em universo que esta logo aqui, 
bem na frente, 
nesse universo paralelo que é a essa vida ao nosso lado. 
Vida esta, às vezes amarrada, às vezes deitada, às vezes entubada, às vezes nos olhos da senhora que entra no metrô carregando uma mala  - ou uma idade- acavalhedorura; 
noutras mugindo, florescendo, orbitando, brilhando ou até big-bangando. 
A vida está ao nosso lado, e ela pulsa, faz febre se há algo errado, reabsorve os nutrientes da folha antes de ser eleita por outra que mora logo ao lado. 
Toque, calor, flores.  




quinta-feira, 29 de maio de 2014

não sei se a autora sou eu




a dor de perda é dor imensurável
inimaginável enquanto se antecede a ela
dilacerante, teatral, só na boca do estômago, só na roupagem, em toda a alma, 
ou toda dento do bolso da frente da camisa que a moça já desceu pra lavar

pior ainda é quando é uma dor-sem-dor
perda-sem-saber
ida-sem-ser notada
fugaz como o desabotoar da camisa e seu destino a girar e ser lavado na água

e deve mesmo, ser lavado
de preferência, sem que seja na impessoalidade da máquina de lavar roupa
e da mocinha que tem trabalhado aqui há um tempo

dor é pra lavar no tanque.
é não desperdiçar sabão
é não desfocar da dor
segurar bem forte a camisa
mirar a mancha
e esfregar, um atrito e um carinho

notar a cor que escorre da água:
essa se contamina em sacrifício a seu desejo,
enquanto você não sacrifica muito quando limpa por querer limpeza em troca

uma perda.
sofrimento algum faz sentido do qual não se tire algo de bom
que se torça o pano até que as últimas gotas desçam pálidas.

O oceano, logo logo, se recicla.


segunda-feira, 7 de abril de 2014



 pegar meu copo para enchê-lo, antes mesmo do meu último gole da cerveja
reparo como você segura o copo, assim, como se segurasse meu corpo
me entorna


Crises vão e vêm
Com nossos amigos também.
Jamais é hora para abandona-los porque está difícil.

Se nosso amigo nos reserva um desafio,
deve ser um dos melhores do mundo.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Obrigada mesmo assim

Esse olhar seu não me ofende,
nem quando você o faz à distância da sua distância.
Eu não traí a causa,
nem pense em pensar nisso.
Eu disse amor, sim.

Eu sei ser legal,
mesmo quando as coisas não estão tão legais assim.

Procurar serenidade na severidade.
A luta interior, Jihad, contra uma força severa, gera força interior.
Quanto mais intensa uma, mais intensa a outra.

A melhor das lutas: aquela que nem requer tanto esforço
De repente, as memórias ruins se vão,
a dor anestesia,
o término se justifica,
o otimismo cresce.
Eu disse amor, e amando me mantenho.
Agora que perdoei e acordei
só sei sentir felicidade.

domingo, 30 de março de 2014

Tintura de ópio

Elixir paregórico
ecoa  na tarde de domingo,
mesmo que não faça aparente sentido.



Inspirador:
Inspira;
Ins, por ser do lado de dentro plurais
Pira, pela papoula toda

Pirador
Anestesia a dor

Paregórico
Alivia a dor

Que pirado! Tudo porque ecoa
e coa.

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